Você consegue imaginar o Maraca lotado, a torcida do Flamengo localizada nas arquibancadas verde e amarela torcendo sentada, calada, levantando apenas nos momentos de perigo?
Consegue imaginar a torcida do Flamengo sem gritar a escalação dos jogadores antes do jogo começar?
Consegue imaginar a torcida sem aquela festa na arquibancada, os papéis higiênicos, as bandeiras?
Não?!? O Cláudio também não, Cláudio Cruz deixou a extinta FlaMor e junto com um grupo de amigos fundou aquele que mais tarde tornou-se o maior movimento de torcidas organizadas do Brasil, a RAÇA RUBRO NEGRA.
Sábado à tarde, tempo fechado, bairro da Tijuca, escolhemos um bom pé-sujo e iniciamos ali um bate-papo que se estendeu por toda tarde, o assunto principal, é claro, Flamengo.

Bem humorado, típico carioca, apaixonado por samba, futebol e como ele mesmo resume, um cara do bem. Nostalgia, amor pelo Flamengo e esperança que esta unidade entre as organizadas do Mais Querido dure perpetuamente, este foi o rumo da conversa entre Cláudio (Raça Rubro Negra), Eu (Fábio Justino), Gabriel Reis e Fernando Holanda (Equipe Magia Rubro Negra).
Entre o nosso refrigerante e a cerveja dele, Cláudio relembrou na íntegra sua trajetória a frente da torcida, as viagens, as loucuras e as participações dentro e fora do Maracanã nas decisões contra Atlético-MG (1980) e Santos (1983).
- Nós ajudamos e muito tanto antes como durante o jogo. Não deixamos ninguém dormir é só você olhar o comportamento deles durante as partidas, estavam destemperados, desequilibrados, nervosos, tanto que tivemos expulsões nas duas decisões. Fomos para frente do hotel deles e ficamos soltando fogos e fazendo uma verdadeira barulhada a noite inteira. Ficamos lá até as 07h00 da manhã, depois fomos para casa, só tomar um banho, trocar de roupa e seguir pro Maraca para preparar a festa na arquibancada – conta Cláudio Cruz.

A rivalidade com nosso maior cliente também não foi deixada de lado, afinal de contas Cláudio também foi o fundador da famosa Fla-Madrid. A torcida foi criada quando o vice foi a Tókio disputar a final do Mundial Interclubes e como todo rubro-negro já sabia o Real Madri (de Sávio) foi campeão e o Vasco confirmava então sua sina de chegar sempre em segundo.
- A Fla-Madrid começou de uma brincadeira, eu não imaginava que ia tomar aquela proporção toda, muitos amigos vascaínos deixaram de falar comigo, acharam que eu peguei pesado, mas eu não me arrependo. Aquele jogo tornou-se um verdadeiro Flamengo x Vasco. A idéia surgiu em um momento ímpar, eu estava no banheiro sentado no vaso e vi no jornal uma foto do Mauro Galvão (na época zagueiro do Vasco) passando com a taça (da Libertadores) na frente da Gávea, foi quando tive esta brilhante idéia. – explica Cláudio Cruz.
[Esta é apenas a 2ª parte deste bate-papo, durante a semana vamos postando outros trechos, não percam]
por Equipe MAGIA RUBRO NEGRA
Magia Neles!
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