Com um gol de cabeça, depois de ter entrado no segundo tempo, um jovem jogador Rubro-Negro salvava o Flamengo do rebaixamento em 2001. Felipe Melo, que acabou de ser vendido pelo Almeria da Espanha por 15 milhões de Euros à Fiorentina, mesma equipe que acaba de contratar Gilardino, do Milan, concedeu entrevista exclusiva ao Magia, em sua rápida passagem pelo Rio de Janeiro.
Confira:
Magia Neles! Equipe Magia Rubro-Negra
Arquivado em: Colunas, Entrevistas, Podcast | Tags: 1981, capacete, entrevista, FLAMENGO, junior, mundial
“…saudade, de cada momento que eu lembro de cor.
só sabe de amor e de saudade, quem já ficou só…”
Nana Caymmi
Com o trecho desta canção inicio o texto que narra um dos bate-papos mais importantes na história do nosso blog. Nana Caymmi canta saudade, vai, além disso, poeticamente canta que só sabe de amor e saudade quem já ficou só, bem, solidão é algo que um rubro-negro desconhece, afinal de contas somos mais de 40 milhões, porém saudade nós sentimos e não são poucas.
Sentimos falta do Galo Mestre (Zico), sonhamos todos os anos com uma nova conquista da Libertadores e do Mundial, sentimos saudades do Brasileirão e por coincidência a última vez que conquistamos, foi ele quem levantou a taça, a famosa e polêmica taça das bolinhas. Júnior, Maestro ou Capacete. Ele preserva a mesma ousadia dos tempos de jogador, não tira o pé das divididas, responde todas as perguntas e brinda os usuários do MAGIA RUBRO NEGRA com este marcante e histórico bate-papo.
Ele jogou 10 anos ininterruptos no Mengão, 874 partidas com a camisa do Mengão, 77 gols, nos deu 20 títulos e até hoje é reverenciado como um dos maiores ídolos da história rubro-negra. Com vocês o sempre solícito Leovegildo Lins da Gama Júnior ou humildemente Júnior.
Confira a entrevista completa no nosso PodCast!
http://podcastdomagia.endel.com.br
O Maestro deixou uma singela lembrança para a galera do Magia!
Magia Neles !
Equipe MAGIA RUBRO NEGRA
Não deixe de prestigiar e participar pelo nosso email paixao@magiarubronegra.com.br

Alô Galera Rubro Negra,
Hoje iremos disponibilizar para toda a Nação um super vídeo produzido por Masao Goto Filho. Masao é formado em comunicação pela PUC/RJ, Rubro Negro e carioca, hoje exilado em São Paulo e teve seu pai como conselheiro do Flamengo lá pelos anos 70, quando o Hélio Maurício foi presidente, mas antes disso ele conta que já era flamenguista e talvez tenha até ajudado seu pai (que não era tão ligado a futebol) a se tornar um, porque ele tinha um chaveirinho com o símbolo do Fluminense, lembra ele.
“Eu fazia meu pai me levar ao Maracanã com uns 7 ou 8 anos e a primeira vez fui de uniforme completo: camisa, calção, meião e acho até que levei uma bola. Tinha torcedor que me olhava na arquibancada (claro que tinha que ir na arquibancada) e ria de ver uns japoneses com uniforme tão completinho.
Me lembro de vários jogos, mas talvez o inesquecível tenha sido a vitória contra o Vasco, final do carioca em 81, quando assisti o jogo de pé, no último degrau da arquibancada, na ponta dos pés. Nem precisei pular na hora dos gols.” Diz ele orgulhoso.
Seu sonho é de um dia voltar ao Rio porque deseja que seu filho vá ao Maracanã sentir a emoção de ver o Flamengo entrar em campo, ao lado de sua torcida.
Masao, toda a Equipe do Magia Rubro Negra gostaria de parabenizá-lo pelo maravilhoso trabalho, realmente uma obra de arte Rubro Negra!
Acessem o video clicando aqui
Blog: FotoBlográfico do Masao
Magia Neles!
Você consegue imaginar o Maraca lotado, a torcida do Flamengo localizada nas arquibancadas verde e amarela torcendo sentada, calada, levantando apenas nos momentos de perigo?
Consegue imaginar a torcida do Flamengo sem gritar a escalação dos jogadores antes do jogo começar?
Consegue imaginar a torcida sem aquela festa na arquibancada, os papéis higiênicos, as bandeiras?
Não?!? O Cláudio também não, Cláudio Cruz deixou a extinta FlaMor e junto com um grupo de amigos fundou aquele que mais tarde tornou-se o maior movimento de torcidas organizadas do Brasil, a RAÇA RUBRO NEGRA.
Sábado à tarde, tempo fechado, bairro da Tijuca, escolhemos um bom pé-sujo e iniciamos ali um bate-papo que se estendeu por toda tarde, o assunto principal, é claro, Flamengo.

Bem humorado, típico carioca, apaixonado por samba, futebol e como ele mesmo resume, um cara do bem. Nostalgia, amor pelo Flamengo e esperança que esta unidade entre as organizadas do Mais Querido dure perpetuamente, este foi o rumo da conversa entre Cláudio (Raça Rubro Negra), Eu (Fábio Justino), Gabriel Reis e Fernando Holanda (Equipe Magia Rubro Negra).
Entre o nosso refrigerante e a cerveja dele, Cláudio relembrou na íntegra sua trajetória a frente da torcida, as viagens, as loucuras e as participações dentro e fora do Maracanã nas decisões contra Atlético-MG (1980) e Santos (1983).
- Nós ajudamos e muito tanto antes como durante o jogo. Não deixamos ninguém dormir é só você olhar o comportamento deles durante as partidas, estavam destemperados, desequilibrados, nervosos, tanto que tivemos expulsões nas duas decisões. Fomos para frente do hotel deles e ficamos soltando fogos e fazendo uma verdadeira barulhada a noite inteira. Ficamos lá até as 07h00 da manhã, depois fomos para casa, só tomar um banho, trocar de roupa e seguir pro Maraca para preparar a festa na arquibancada – conta Cláudio Cruz.

A rivalidade com nosso maior cliente também não foi deixada de lado, afinal de contas Cláudio também foi o fundador da famosa Fla-Madrid. A torcida foi criada quando o vice foi a Tókio disputar a final do Mundial Interclubes e como todo rubro-negro já sabia o Real Madri (de Sávio) foi campeão e o Vasco confirmava então sua sina de chegar sempre em segundo.
- A Fla-Madrid começou de uma brincadeira, eu não imaginava que ia tomar aquela proporção toda, muitos amigos vascaínos deixaram de falar comigo, acharam que eu peguei pesado, mas eu não me arrependo. Aquele jogo tornou-se um verdadeiro Flamengo x Vasco. A idéia surgiu em um momento ímpar, eu estava no banheiro sentado no vaso e vi no jornal uma foto do Mauro Galvão (na época zagueiro do Vasco) passando com a taça (da Libertadores) na frente da Gávea, foi quando tive esta brilhante idéia. – explica Cláudio Cruz.
[Esta é apenas a 2ª parte deste bate-papo, durante a semana vamos postando outros trechos, não percam]
por Equipe MAGIA RUBRO NEGRA
Magia Neles!
Ontem o Magia Rubro Negra teve a honra de entrevistar o nosso amigo e Rubro Negro fanático, Cláudio Cruz, um dos fundadores da Raça Rubro Negra. Durante um descontráido bate papo pela Tijuca, revivemos um Flamengo de glórias que o Cládio teve o prazer de nos apresentar e algumas vezes de nos relembrar. Foi uma ótima tarde e gostaríamos de agradecê-lo pela atenção e por tudo que ele fez em prol do nosso Clube de Regatas Flamengo.
Como são muitas histórias, hoje vamos começar com uma que poucos conhecem, a verdadeira história do grito “Oh Meu Mengão, Eu Gosto de Você!”, um dos cânticos mais empolgantes e marcantes da Torcida do Flamengo.
Cláudio conta que sempre foi um cara de esquerda, mas não conseguiu segurar a versão do jingle ufanista do governo militar que nos anos de 1976 a 1978, lançou uma musiquiha com esse refrão mesmo: “Oh, meu Brasil / Eu gosto de você / Quero cantar ao mundo inteiro / A alegria de ser brasileiro”.
Bastou o primeiro jogo do campeonato carioca para a torcida do Mengão fazer sua paródia e dali para frente essa música é uma marca da Torcida e um hino para essa Nação Rubro Negra.
Magia Neles!
Ps. Obrigado Cláudio Cruz!
Arquivado em: Entrevistas

- Acredita que a Adidas possa fechar com o Flamengo?
Ancelmo: “É difícil uma marca como a Adidas querer investir no Flamengo, pelo simples fato dela ter um projeto com o Fluminense e a Unimed, saíria muito mais caro ela rescindir com eles do que contrapor um projeto com o rival de seus parceiros”.
- Então é impossível rivais terem o mesmo fornecedor de material esportivo?
Ancelmo: “Em São Paulo a Adidas é fechada com o Palmeiras e o São Paulo com a Reebok. Já a Nike está com o Corinthians e a Umbro com o Santos. No Brasil, nunca vai existir em um mesmo pólo a mesma marca em dois ou mais clubes. Na Europa existe sim, porque lá eles tem investimentos retribuídos. Algo já bem padronizado”.
- O que o Flamengo deve fazer então?
Ancelmo: “É aconselhável nesta situação do Flamengo ter uma revisão contratual e elaboração de um pré-contrato por ambas as partes, pois um contrato bem feito não tem erro. A Nike é uma grande empresa e o Flamengo um grande clube, que tem uma massa consumista gigantesca. Nenhum deles são tolos e com certeza, se fizerem uma revisão, tudo pode se encaixar”.
Magia Neles!
Enviada pelo Celo CRF

Nelson Pessoa Filho, o Neco, foi o maior cavaleiro brasileiro de todos os tempos, talvez apenas superado recentemente por seu filho, Rodrigo Pessoa, atual campeão olímpico. Nelson Pessoa, representou o Flamengo por vários anos, sendo que disputou duas Olimpíadas quando ainda atleta do clube. Atualmente ele é técnico e responsável por um dos mais famosos Centros de Treinamento na Bélgica, sem duvida, Nelson Pessoa é provavelmente a maior referência do hipismo nacional.
Leia a entrevista completa clicando aqui…
Fonte: Flapedia
Magia Neles!
Dando início a uma série de matérias bem interessantes o MAGIA RUBRO NEGRA procurou entrevistar os mais diversos tipos de torcedores rubro-negros, sejam eles anônimos ou famosos, o mais importante é que sejam apaixonados pelo MENGÃO.
Para dar início a esta série, trouxemos para você uma empolgante entrevista realizada em agosto do ano passado, o torcedor da vez é o ilustre Washington Rodrigues, mais conhecido como Apolinho.
Leia, curta, , divulgue e “tome cuidado”, o próximo entrevistado pode ser você.

Washington Carlos Nunes Rodrigues, nascido em 01/09/1936
Casado com D. Maria Lúcia, pai de 03 filhos (Patrícia, Washington e Bruno)
Carioca do Engenho Novo, no futebol é Flamengo e no samba é Mangueira.
Mais conhecido como *Apolinho, Washington Rodrigues começou sua consagrada carreira de comentarista esportivo em 1962 na extinta Rádio Guanabara, apresentando o programa “Beque Parado”. Passou pelas rádios: Nacional, Continental, Tupi e Globo (onde se consagrou como um dos comentaristas esportivo mais importante do Brasil).
Paralelamente as atividades no rádio, Washington Rodrigues trabalhou nas TVs: Excelsior, Educativa, TV Rio, Tupi e Globo, onde além de participar como jurado no programa do saudoso Abelardo Barbosa (O Chacrinha) trabalhou também na produção do programa.
* Os astronautas da Missão Apolo utilizavam um microfone sem fio idêntico ao que Washington Rodrigues usava em 1969, daí o apelido de Apolinho.
Através de um breve telefonema conseguimos marcar este bate-papo para as 11h00 de uma quinta-feira ensolarada no aconchegante prédio da Rádio Tupi no centro do Rio de Janeiro. Com seu característico bom humor e sua eterna simpatia Apolinho nos recebeu e mesmo percebendo o nosso nervosismo nos deixou bem à vontade para realizar qualquer tipo de pergunta.
Diversos adesivos, fotos e flâmulas espalhados pela parede mostram um pouco da paixão que este belo profissional tem pelo Clube de Regatas do Flamengo, na profissão onde dizem que ser imparcial é quase uma lei, Apolinho dá um chute nessa “máxima” e mesmo assim é respeitado e até mesmo homenageado pelas torcidas rivais.
“Bem, isso foi algo que eu conquistei ao longo de mais de 45 anos de carreira, na verdade assim que você inicia no jornalismo esportivo a tendência é que fique mais perto do clube que ama, mas ao amadurecer profissionalmente eu acabei preferindo cobrir outros clubes ao Flamengo, até para não me envolver emocionalmente mais do que já me envolvo. Na verdade eu também acabo enxergando o futebol de uma maneira diferente da maioria dos torcedores, não tenho raiva do Vasco, Fluminense ou Botafogo, inclusive um belo dia levei meu filho para ver um jogo entre Vasco x Atlético-PR em São Januário e mostrei a ele o respeito que a torcida cruzmaltina tem por mim. Outra vez num Vasco x Flamengo também em São Januário, houve uma tentativa da torcida vascaína em invadir o ônibus da torcida rubro-negra, eu estava com o meu carro logo atrás e a polícia na tentativa de impedir a confusão dispararam bombas de gás que prejudicaram minha visão, nesta ocasião os próprios torcedores do Vasco me ajudaram e me levaram até a cabine de rádio, quer dizer, isso você só consegue com muito respeito, sempre os vi como adversários e nunca como inimigos, tenho até um troféu que a Força Jovem do Vasco mandou fazer em minha homenagem” explica Apolinho.
“Eu não sou técnico e nunca fui, mas o Flamengo não me convidou, ele me convocou e todas as vezes que ele me convocar eu vou, pelo Flamengo eu faço qualquer coisa, se o goleiro se machucar e precisar de mim no gol eu vou lá e jogo, pelo Flamengo eu faço qualquer negócio, chamou eu to dentro, qualquer coisa que quiserem eu vou”
É impossível conversar com Washington Rodrigues sem lembrar suas duas passagens pelo FLAMENGO, uma como treinador e outra como diretor-técnico (1995 e 1998). Ao relembrar este fato perguntamos: E se houvesse um novo convite para trabalhar no Flamengo, qual seria a sua resposta? Fomos surpreendidos com uma declaração que deveria entrar para a história do futebol. Com voz forte, olhar centrado e a resposta na ponta da língua ele disparou: “Eu não sou técnico e nunca fui, mas o Flamengo não me convidou, ele me convocou e todas as vezes que ele me convocar eu vou, pelo Flamengo eu faço qualquer coisa, se o goleiro se machucar e precisar de mim no gol eu vou lá e jogo, pelo Flamengo eu faço qualquer negócio, chamou eu to dentro, qualquer coisa que quiserem eu vou” diz o apaixonadoWashington Rodrigues e ainda complementa “Naquela época eu contrariei todos os meus amigos e familiares, ninguém apoiava minha decisão de deixar tudo e dirigir o Flamengo, apenas meus filhos incentivavam, eu abri mão da minha vida pelo clube, financeiramente eu quebrei, larguei tudo: rádio, TV, jornal, minha agência de publicidade, levei aproximadamente 3 anos para me reerguer, mas se alguém ligar agora lá da Gávea e disser que precisa de mim, eu largo tudo novamente e vou, Flamengo é Flamengo, Flamengo é minha paixão”.
Ao ouvir isso senti um arrepio, meus olhos se encheram de lágrimas, respirei fundo, fiquei calado por alguns segundos e ainda tive força para comentar aquilo que milhares de rubro-negros devem ter a curiosidade de perguntar ao Apolinho. Falei sobre a narração do Penido no memorável Gol (merece um “G” maiúsculo) do Pet (na final do Campeonato Carioca de 2001) e o que motivou Apolinho a citar (segundos antes do gol) a célebre frase: “E acaba de chegar São Judas Tadeu”. Com um sorriso contagiante ele me pergunta: “Rapaz, imagine eu dizendo aquilo e a bola não entra. A torcida do Vasco ia me zuar o resto da vida, mas como a bola entrou ficou marcado como uma premonição, mas não deixou de ser né, até então ele havia errado todas as cobranças e é impressionante, eu tinha certeza que ele ia acertar aquela bola” resume o apaixonado Apolinho.
Antes de terminar este bate-papo ainda falamos um pouco sobre o Campeonato Brasileiro, Campeonato Carioca, Futebol Paulista e rádio, nos lembrou que trouxe o Fabão pro Flamengo, promoveu o Aloísio Chulapa e etc. Finalizando a entrevista perguntei: No Bolão do Apolinho qual é a aposta para o Campeonato Brasileiro ?
“Flamengo sempre, se houver 38 rodadas nas minhas apostas o Flamengo é sempre campeão invicto, sem empate, independente do adversário” finaliza Apolinho.
Magia Neles!
Arquivado em: Entrevistas

Tricampeão carioca (2005, 2006 e 2007), o Flamengo/Petrobrás é o líder invicto do Campeonato Nacional com 100% de aproveitamento em nove partidas. Um dos responsáveis pelo sucesso da equipe vem do banco: o técnico Paulo Teixeira Sampaio. Mais conhecido como Paulo “Chupeta”, o treinador rubro-negro começou sua carreira no basquete como jogador do clube Riachuelo em 1970. Teve passagens pelo Jequiá, Benfica de Portugal, Botafogo e Tijuca, e pela seleção brasileira. Começou como treinador na equipe pré-mirim quando ainda era juvenil, também no clube Riachuelo. Chupeta está no Flamengo desde 1997 e foi assistente dos técnicos Claudio Mortari e Emanuel Bomfim, vice-campeões nacionais em 2000 e 2004, respectivamente. Mas Paulo Chupeta espera superá-los. Com um elenco forte, unido e dedicado, o time rubro-negro vai em busca do título inédito para o clube.
Fale um pouco sobre a sua trajetória como jogador?
Comecei em 1970, no mirim do clube Riachuelo. Em 1974, fui para o Jaó, em Goiás, voltei para o Riachuelo no ano seguinte. Passei pelo Jequiá e fiquei uma temporada no Benfica, em Portugal. Voltei para o Jequiá, fui para o Botafogo e encerrei minha carreira como jogador no Tijuca Tênis Clube. Também tive uma passagem pela seleção brasileira em 1975, sob o comando do técnico Claudio Mortari. Em 1977, fui convocado para a seleção de novos para uma excursão pelo país com o Ari Vidal.
E a experiência de jogar em Portugal?
Foi excelente. O time estava em oitavo lugar e apenas os seis primeiros se classificavam para a fase seguinte. O Benfica precisava de um armador de força, que era a minha característica. Quando cheguei em Portugal, a equipe tinha que vencer quatro partidas para garantir a vaga no playoff e conseguimos as quatro vitórias. Perdemos na semifinal, terminando a competição em terceiro lugar.
Como foi a transição de jogador para técnico?
Na minha época, os jogadores não eram muito bem pagos. Era comum os atletas das categorias acima treinarem as mais novas. Eu estava no juvenil quando comecei a trabalhar com o pré-mirim em 1973. Tive um grande tutor, o Sr. Coutinho, que me mantinha na linha, pois eu era um pouco rebelde. Aprendi bastante com ele. Muita coisa aprendi na marra, apanhei muito. Estava sempre de olho nos técnicos mais experientes em busca de mais conhecimento.

Você foi assistente dos experientes técnicos Claudio Mortari e Emmanuel Bomfim no Flamengo. O que isso contribuiu para a sua carreira?
Eu comecei no Flamengo, treinando a equipe infanto, em 1997. O Claudio Mortari chegou no clube em 2000 e me convidou para ser assistente dele no time principal, que contava com jogadores como Oscar, Robyn Davis, Caio Cazziolato, Pipoka, Josuel, Ratto. Quando veio o Miguel Angelo, voltei a dirigir somente as categorias de base. Depois o Emmanuel Bomfim assumiu e me chamou para trabalhar com ele. No Tijuca Tênis Clube, fui assistente do Marcos Flavio, o Pingo, quando Alexey, Anthony White e Dwayne Perry estavam no elenco. Trabalhar com técnicos experientes, de alto nível como esses foi muito bom para minha carreira. Uma das coisas que aprendi com eles foi a lidar com jogadores de nome. Algumas pessoas acham que o assistente é apenas um espectador com o privilégio de acompanhar o jogo no banco de reservas. Mas o trabalho é muito mais do que isso. O assistente tem que estar atento a todos os detalhes da partida e passar as informações para o técnico principal. Procurei aprender com todos e fui agregando valores à minha filosofia.
Quais são as suas características como treinador?
Eu sou um técnico disciplinador e aglutinador. Uma coisa que o técnico Emmanuel Bomfim falava e trago comigo é que o basquete é um esporte coletivo, então nós perdemos e nós ganhamos. Uma outra característica minha é que eu sempre procuro não expor os atletas na quadra. Se eu tiver um problema com qualquer jogador, vou levar a conversa para o vestiário. Tento manter a tranqüilidade na quadra. Às vezes, as pessoas falam que eu fico muito calmo nos momentos apreensivos da partida. Mas os jogadores ficam de cabeça quente nas horas difíceis e acho importante o técnico permanecer calmo e passar tranqüilidade para que o grupo possa virar o jogo.
Após a conquista do tricampeonato carioca, o Flamengo faz história no Nacional. São nove vitórias em nove jogos. Como você analisa a campanha do Flamengo até agora?
Estou muito otimista. Nós montamos o elenco para isso. Escolhemos os jogadores de maneira que tivéssemos dois atletas em cada posição. Isso me possibilita mexer na equipe sem que o ritmo de jogo diminua. E é importante ter peças de reposição. Tem dias que determinado jogador não está bem e é preciso alguém para substituí-lo e que mantenha o padrão. O armador Hélio estava bem, teve uma caída agora, enquanto o ala Duda subiu de produção. O pivô Alírio vem crescendo a cada partida e o ala/armador Marcelinho é um jogador que preocupa qualquer adversário mesmo num dia ruim. É um grupo entrosado. Alguns jogadores cresceram juntos, atuaram no juvenil, e se conhecem bem.
Quais os pontos fortes da equipe?
Destaco o conjunto e a harmonia do time. Estamos com uma defesa forte e uma boa produtividade no ataque. Isso está sendo fundamental para alcançarmos a vitória e essa campanha que temos até agora. E vamos continuar assim para garantir nosso lugar na final da competição.
O Campeonato Nacional sempre revela jovens talentos. Que jogadores você destacaria na edição deste ano?
O ala/armador André Góes, do Joinville, é um jogador promissor, voluntarioso. Bem lapidado, será um adversário difícil. O Rodrigo, do Uberlândia, é um lateral de 2,04m que está muito bem na competição, assim como o ala Audrei, da Univates. Fiquei impressionado também com o pivô Darlan, de 2,07m, do FTC EAD. Quando ele entrou em quadra para substituir o americano, deu bastante trabalho para nós.
Além do time rubro-negro, quem você aponta como favorito ao título?
O Universo/BRB ainda tem muito a crescer no Nacional. O Minas também tem uma equipe forte e é quase certo que chegue as finais. A Ulbra ainda não estreou na competição, mas fez uma boa campanha no Paulista e conta com jogadores experientes como Vanderlei, Danilo, André Bambu. Além do técnico Neto, que também faz um bom trabalho.

Por que o apelido Chupeta?
Quando eu era criança, estava sempre com chupeta na boca na porta de casa. Toda vez que o seu Benedito passava por mim me chamava de Paulinho da chupeta. Depois que eu fui jogar no clube Riachuelo, o seu Benedito apareceu por lá para fazer um trabalho. Ele me viu na quadra e falou: “Olha lá, o Paulinho da chupeta jogando”. O pessoal só ouviu “Paulinho” e “chupeta”, o “da” ninguém escutou. O apelido pegou e ficou até hoje.
Arquivado em: Entrevistas
Abaixo segue mais uma entrevista com o um torcedor ilustre do Flamengo, Francisco Moraes. Acesse o site http://www.historiadetorcedor.com.br e conheça um pouco mais das histórias memoráveis desse cara que teve a honra de acompanhar o Flamengo na sua era mágica, década de 80.
1)A história já é até manjada, mas nunca foi ouvida pela boca dos torcedores: dizem que os jogadores do Liverpool, no Mundial de 1981, achavam que ganhariam fácil do Flamengo. Você que estava no estádio sentiu, realmente, esse ar de superioridade dos ingleses em relação ao time rubro-negro? Chegou a desconfiar que o título não viria?
Moraes: Na realidade o que aconteceu foi o seguinte: os ingleses (aliás, os europeus) não estavam acostumados a ver um time de futebol fazer aquela corrente, que era característica dos times do Brasil e da Argentina. Nunca tinham visto os times se abraçarem, rezarem e lançarem palavras de ordem e incentivo. Então eles começaram a rir, sem maldade. Nós (Flamengo) é que estávamos pilhados e com complexo de inferioridade (apesar de que naquela época o Flamengo era considerado o melhor time do mundo), e levamos pra maldade. Agora um detalhe: na véspera do jogo fomos a um Táxi free em Tokyo (toda a delegação, inclusive alguns jogadores) e os jogadores do Liverpool estavam lá. Tentaram bater papo, foram gentis e achavam que iam ganhar fácil. Nunca mais vão esquecer aquela partida. Nunca. Com 20 minutos o jogo estava decidido. Nós da torcida que estávamos completamente estressados, nervosos e tensos, não acreditávamos naquilo. Aliás, nem teve jogo. Fizemos 3×0 e tocamos a bola. O título mais fácil da minha vida. Por isso digo sempre nas minhas entrevistas. A maior partida do Flamengo foi o segundo jogo contra o Cobreloa em Montevidéu.
2)Pouco antes da final da Libertadores, contra o Cobreloa, o Flamengo enfrentou o Botafogo naquele jogo no qual devolveu o 6×0 de 1972. Não sei se você se lembra, mas todo clássico entre eles, a torcida do Botafogo pendurava uma faixa relembrando do tal jogo. Você esteve presente no 6×0 do Flamengo? Não vivi nessa época, mas a impressão que tenho era de uma rivalidade sadia, o que não vejo nos dias de hoje. Você acredita que essa rivalidade, baseada na brincadeira, não tenha mais espaço nos estádios, uma vez que basta as torcidas organizadas se encontrarem para a confusão acontecer?
Moraes: Rafael, vou te responder em duas etapas:
a) aquela faixa era o maior “calo” da torcida do Flamengo. Da história do Flamengo. Mexia com a gente entendeu? Em todos os lugares, entrevistas, estádios, eles só falavam nos 6×0. Um ano antes tivemos a chance de devolver esse placar. Num jogo à noite metemos 4×0 neles e o time pisou no freio. Era pra meter 8×0. O Zico ficou muito puto. Claro que fui àquele jogo. O Botafogo era melhor que o nosso time, mas nunca imaginaríamos tomar de 6×0. Eles chutaram 6 bolas a gol. Todas entraram. Caraca, uma das maiores frustrações da minha vida. Tive que ouvir durante anos e anos gozações. E pra piorar eles tinham mais vitórias que nós. Era insuportável. Mas num espaço de 40 dias vivemos a maior glória do Flamengo dos últimos tempos:
08/11/1981: Flamengo 6 x 0 Botafogo – fechamos de vez o caixão da cachorrada, acabando com qualquer resquício de orgulho da parte deles. Agora, nem freguesia, nem goleada, nem nada…
10/11/1981: Flamengo 6 x 1 Americano – pelo menos o time de Campos fez um gol;
13/11/1981: Flamengo 2 x 1 Cobreloa – partíamos decididos rumo ao Campeonato Sul Americano;
15/11/1981: Flamengo 3 x 0 Fluminense – só não foi de seis porque um torcedor tricolor invadiu o campo e, de joelhos aos pés do Zico, implorou clemência;
20/11/1981: Flamengo 0 x 1 Cobreloa – perdemos quando podíamos, e nos salvamos de um massacre;
23/11/1981: Flamengo 2 x 0 Cobreloa – Campeão da Copa Libertadores das Américas;
26/11/1981: Flamengo 5 x 1 Volta Redonda – Campeão do terceiro turno do Campeonato Carioca. Vantagem de dois jogos na final;
28/11/1981: um acidente nas ilhas Cagarras, no Rio, mata o maior treinador do Brasil – Cláudio Coutinho;
29/11/1981: Flamengo 0 x 2 Vasco – tiramos o Vasco do coma;
02/12/1981: Flamengo 0 x 1 Vasco – debaixo de um toró, aos 45 do segundo tempo, tiramos o Vasco da UTI. Só batemos em gente do nosso tamanho;
06/12/1981: Flamengo 2 x 1 Vasco – Campeão Carioca de 1981;
13/12/1981: Flamengo 3 x 0 Liverpool – Campeão Mundial de Futebol de 1981.
b) quanto às torcidas naquela época não havia essa imbecilidade de que o torcedor adversário é inimigo somente porque torce por outro time. Você sabia que as torcidas tinham “salas” no maracanã para guardar material (bandeiras, bateria, etc)? Então, num Flamengo e Botafogo no domingo a galera começava a preparar a festa na sexta-feira à noite. Reuniam-se na porta do Maracanã, bolavam os planos pra festa e… Cerveja, muita cerveja. Só iam pra casa domingo depois do jogo. As duas torcidas faziam churrasco, bebiam, jogavam bola no anel. Na hora do jogo cada um por si. Era um congraçamento genial. E olha que era público de 130 mil pessoas. Hoje o torcedor adversário é inimigo. Hoje são bandidos organizados que querem é matar quem estar com a camisa do outro time. Mas ainda existe muita gente boa nas torcidas, pode apostar.
3)Uma das passagens do meu trabalho é a venda do maior ídolo do clube, o Zico. Fiquei sabendo que após sua venda, a torcida invadiu a Gávea e conseguiu pressionar o presidente Dunshee de Abranches a renunciar. Comente esse fato, por favor.
Moraes: Se você lê meu site vai ver que digo lá. O Zico foi “vendido” durante a Copa de 82. Era questão de tempo ele sair e deu-se no final do seu contrato. O Zico só não iria se o Flamengo cobrisse a proposta da Udinese, que era impossível naquela época. Pois bem, quando concretizou a venda a torcida realmente invadiu a Gávea e queria quebrar tudo. O Cláudio, então Chefe da Raça Rubronegra com sua liderança não deixou. Houve alguns incidentes, mas sem grandes repercussões. O Dunshee de Abrantes foi um covarde. Renunciou e quem renuncia é covarde. Houve uma pressão muito grande, com faixas em todos os jogos: “Fora Dunshee – Vá Pro Catania”, e outras iguais. A galera pegou no pé dele mesmo. Todo mundo desesperado pela venda do nosso Ídolo e ele pousou pros fotógrafos com uma camisa do Flamengo “fingindo” que tava chorando. Aí negozinho ficou com ódio do cara. Fizemos uma coisa genial. Descobrimos onde os filhos dele estudavam. Aí pedíamos aos outros “garotos flamenguistas” que infernizassem a vida deles (sem violência física). Subornávamos os garotos com camisas da Raça e mandávamos falar:.. teu pai é ladrão… Vendeu o Zico e ficou com a grana… Os muleques ficavam malucos e choravam… Ligávamos pra casa dele… A vida dele virou um inferno. Aí ele não agüentou e renunciou.
4)Hoje em dia é comum ouvir a expressão “o jogador é moderno”. Zico era moderno para a sua época ou o time era moderno para a época?
Moraes: O futebol moderno começou em 72 com o Ájax da Holanda. Digo isso porque o Zico tava começando e o Flamengo era sempre convidado pra jogos na Europa. Começamos a ver aquela rotatividade dos times da Holanda (somente lá se fazia isso). Isso ajudou muito a carreira do Zico. Muito. Tenho certeza que se o Zagalo o tivesse levado pra Copa de 74 mesmo como reserva (alegou que era muito garoto) o Galo tinha arrebentado na Copa de 78. Isso também aconteceu com o Maradona. Não foi convocado pra Copa de 78 e em 82 foi uma água, sendo inclusive expulso no jogo contra o Brasil. Então o Zico pegava na bola e dava dois toques. Antevia a jogada. Por isso foi o maior jogador do mundo da sua época. Se o Zico tivesse ganhado uma Copa do Mundo estaria no mesmo nível de Pelé e Maradona.
5)Falei agora pouco na venda do Zico. Logo após sua saída, o clube apostou no Bebeto. Li em seu site, que você defendia a estréia do Bebeto no profissional o quanto antes. Ele jogou, conquistou títulos importantes, fez bastantes gols, se tornou ídolo, mas saiu pela porta dos fundos. Como a torcida viu a traição do Bebeto? Quem a torcida vaiava mais: Tita ou Bebeto?
Moraes: Essa do Bebeto é hilária. Eu tinha um “emprego” na extinta EMBRAFILME e tínhamos filiais em todo Brasil. Meu gerente em Salvador me mandava toda semana um recorte de jornal do Bebeto (então juvenil) dizendo: Chefe leva esse garoto pro Flamengo. Joga muita bola. Pois bem, tanto encheu o saco que um belo dia fomos jogar em Salvador e na preliminar o Bebeto jogou. Arrebentou. Então falei pro Helal (então Presidente). Leva esse moleque ok. Ele falou. “Já estamos de olho nele”. Aí o Bebeto foi convocado pra uma dessas seleções não sei das quantas e depois voltou pro Flamengo. O Helal deu toda a força pro cara. Tudo. Ficou sendo “filho dele”. Eu praticamente escalei o Bebeto no time principal do Flamengo e ele nos deu grandes alegrias. Por causa de dinheiro e de um mal empresário ele nos deixou. Foi uma grande frustração e até hoje ele sente na pele a besteira que fez. A galera jamais o perdoou. Quanto ao Tita ele sempre se sentiu inferiorizado no Flamengo por causa do Zico. Ele intimamente achava que jogava igual ao Galo. Quando saiu, também pela porta dos fundos achou que podia tripudiar o Flamengo. Se fudeu.
6)Quem foi o maior rival do Flamengo na década? ( pode ser a nível nacional)
Moraes: Rafael, só tinha timaço. Só craque e não cabeça de bagre com nome e salário de craque. O time do Atlético Mineiro era metade da Seleção Brasileira. O Guarani de Careca, Zenon, Jorge Mendonça. O São Paulo. O Vasco do Roberto Dinamite. Não dá pra dizer o maior rival. O Flamengo era simplesmente imbatível. De 78 a 83 era o melhor time do mundo. Viajei com esse time por mais de 40 países. Por causa do Flamengo as portas se abriram na Europa pra jogadores daqui. Só lamento que com aquele time disputamos 5 libertadores e só ganhamos uma. Não dá pra entender.
7)Essa é a que todo flamenguista gostaria de responder: escale o seu Flamengo da década de 1980
Moraes: Não mudaria nenhum jogador do time de 81 e olha que vi jogar com o Manto Sagrado: Silva Batuta, Samarone, Dida e Pelé.








