Magia Rubro Negra


Zico e Sócrates treinam juntos na Gávea! por Gabriel Reis
02/07/2009, 7:19 PM
Arquivado em: Máquina do Magia no Tempo

Que bonito era, não é mesmo?

Imaginem, dormir sabendo que domingo joagariam Zico e Sócrates no seu time? Nós já tivemos este orgulho.

Confiram:

Magia Neles!



Desconstruindo Renato Maurício Prado! Por Gabriel Reis
12/04/2009, 10:52 AM
Arquivado em: Colunas, Máquina do Magia no Tempo

Lendo a maravilhosa coluna de Renato Maurício Prado, maior ídolo Rubro-Negro que tenho dentro do jornalismo esportivo brasileiro, resolvi ajudar vocês que são mais jovens ou até os saudosistas que dividiram arquibancada com ele, mostrando os jogos dos quais ele se referiu na coluna deste domingo. Então, fiz uma nem tão difícil busca no You Tube e resolvi transpassar aqui as linhas deste gênio da caneta (teclado hoje em dia). Até porque, eu não consigo ir ao Maracanã em dia de Fla Flu sem ler o que o grande R. M. Prado tem para nos contar. Vamos viajar no tempo junto com ele?

Foi num Fla Flu…

O genial tricolor Nelson Rodrigues dizia que “o Fla Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram”. Meu primeiro Fla Flu foi em 1963. Tinha apenas 10 anos e assisti ao jogo, que decidia o campeonato carioca, no colo do meu pai, nas antigas cadeiras azuis de um Maracanã superlotado por 177 mil pagantes (o segundo maior público da história do estádio).

Em minha memória visual, sobrou muito pouco daquele clássico. Lembro-me de um chute de Carlinhos (que depois seria bicampeão brasileiro, como técnico) que explodiu no peito de Castilho, sem consequências. E também de uma grande chance desperdiçada, nos últimos minutos, pelo ponta-esquerda tricolor Escurinho, cara a cara com o goleiro rubro-negro Marcial. No final, 0 a 0 e Fla campeão, no meu batismo no clássico mais charmoso do nosso futebol.

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Voltei a ver o Fla Flu em duas grandes decisões, em 1972. Na primeira, da Taça Guanabara, goleada impiedosa do Rubro-Negro: 5 a 2, com show de Paulo César Caju e do argentino Doval e três gols do centroavante Caio Cambalhota.

Na segunda, pelo título carioca, nova vitória do Fla: 2 a 1.

Gérson, o Canhotinha de Ouro, tricampeão mundial, jogava no meio-campo, Zagallo era o técnico do Fla, que tinha como titular, na lateral esquerda, Vanderlei Luxemburgo.

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Não vou contar a coluna inteira, senão você não compra o jornal. Dá uma moral pro cara, né?

Magia Neles!



De Volta Para o Flamengo – I
28/02/2009, 12:46 AM
Arquivado em: Colunas, Máquina do Magia no Tempo

Por Gabriel Reis, Equipe Magia Rubro-Negra

campeao-de-43

Finalmente depois de alguns anos sofrendo para criar a máquina do tempo do Mágia, conseguimos fazer nossa primeira viagem de teste. Ainda sem acreditar que pudesse ser possível uma viagem no tempo, carregando um santinho de São Judas Tadeu no bolso do meu terno, coloquei o “relógio especial” no pulso e ajustei a data para um dia qualquer, algumas décadas no passado. Na sorte, resolvi ver se acharia alguma coisa demais neste dia. 19/09/1943 Como um raio, lá estava eu na Rua Barão de Mesquita, local aonde cuidadosamente pesquisei aonde meu avô costumava pegar o bonde para ir aos jogos. Por sorte, ninguém me viu chegar. Sabendo que na época todo mundo ia ao estádio de terno e gravata, escolhi um terno bem antigo lá em casa e fui que fui. Passou o primeiro bonde e logo vi um anúncio bem grande escrito nele. Confesso que não entendi nada: “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro, que o senhor tem ao seu lado. E no entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rhum Creosotado”. Vai ver que era algum tipo de remédio para tosse.

rhum_creosotado

Não demorou muito e vi o primeiro bonde lotado passar e, apesar de todo mundo estar de terno e gravata, ouvi os primeiros gritos de “Mengoooo”. Já me animei e perguntei a um pedestre que por ali passava se havia algum jogo do Flamengo naquela tarde. A resposta foi positiva. Sim, o Flamengo joga lá no Figueira de Melo com o São Cristóvão daqui há pouco. Vai estar cheio. Reconheci aquele garoto que conversava comigo de imediato. Era o meu avô, no auge de seus quatorze anos. Que máximo. Puxei assunto e perguntei como tinha sido o último campeonato. De imediato ele disse: “Nossa, o melhor atleta de nosso time é o Pirilo. Foi recordista de gols, marcando 39 tentos na competição de 1941 e somos também os atuais campeões. Para quem não sabe, Pirilo chegou ao Flamengo com a missão de substituir o grande Leônidas da Silva. Teve 201 gols em 228 jogos. É o quinto maior artilheiro da história do Flamengo. E é claro que esse grande ídolo nosso tinha que ser o primeiro técnico a convocar o Pelé para a Seleção Brasileira. Pirilo foi um dos protagonistas do Tricampeonato de 42, 43 e 44, o primeiro da história do clube.

pirilo

Voltando para nossa viagem, eu já estava em pé no estribo do bonde, ao lado do meu jovem avô, quando ele me avisou que saltaríamos na Praça da Bandeira, para caminharmos até o estádio do São Cristóvão. Lembrei também que não tinha um tostão da época no bolso. Mas, meu avô, bondoso, disse que tinha algumas moedas sobrando, inclusive para dividirmos um refrigerante. Chegando lá, paramos em um butequim e eu fui logo perguntando a ele o que era mais gostoso para se beber. Ele foi logo pedindo Guará. E que troço gostoso esse Guará! “Guará Guará Guará Guará, melhor refrescante não há”. Vi uns Rubro-Negros bebendo umas cervejas de nome Barriguda. Essa era a parada! Seguimos a pé para o estádio e o meu avô sempre com alguns centavos a mais para me “emprestar”. A esta altura, já éramos melhores amigos. Chegamos ao Figueira de Melo e só tinha gente de terno e gravata, mas ao entrar vi que a torcida do Flamengo estava presente em massa, pois só se ouvia gritos de “Mengooo”. Só para quem não sabe, o estádio Figueira de Melo, que pertence ao São Cristóvão foi fundado em 1916 e já teve capacidade para 8 mil pessoas. Ele é o décimo terceiro estádio que o Flamengo mais jogou em sua história. Foram 136 partidas no total.

figueira

E a bola rolou. Eu até esqueci de começar a marcar o tempo, mas o que sei é que logo no início do jogo o Mengão abriu o placar com Perácio, outro artilheiro do Mengão desta época. O meia esquerda era bom de bola pra caramba.

peracio

A festa na modesta arquibancada do São Cri Cri foi tanta que por volta dos 18 minutos de partida, logo após o gol, a tragédia aconteceu. Parte da arquibancada cedeu e eu pude ver centenas de pessoas caindo pelo buraco e outras caindo dentro do campo, pois o alhambrado também já havia cedido. Por sorte, eu e meu avô estávamos longe da parte que cedeu e meu velho apenas perdeu um botão da camisa. Eu não sofri nada, graças a Deus. Eu pude ver o pessoal que entrava no campo por cima do alhambrado, tentando se salvar do pior, entrando na maior furada, pois quem entrava no campo apanhava da polícia especial, chamada de “Os Gorros Vermelhos”, que na época era muito agressiva e tinha o quartel no Morro de Santo Antônio, composta em sua maioria por marginais. Ainda bem que a ditadura acabou!

ditadura

Pois bem, o jogo foi interrompido no 1 x 0. Fui com meu avô bastante assustado até o butequim mais perto, para tentar arrumar um telefone para ele ligar para casa. Fiquei chocado que na época não tinha orelhão na rua. Pelo menos por ali eu não achei. A esta altura, depois de uma fila para ligar de dentro do bar, meu avô tranquilizou os familiares, que já estavam se encaminhando até para os hospitais para procurá-lo. O motivo era a rádio que noticiava que quase todo mundo tinha morrido no estádio, quando na verdade foram 4 mortos e por volta de 300 feridos.

Me despedi de meu avô com a certeza que um dia o veria de novo e sabendo que a torcida do Flamengo era tão grande, que não cabia em qualquer lugar. Cheguei em casa e fui pesquisar o que aconteceu depois e soube que no dia 22, três dias após o ocorrido, a partida conitnuou em São Januário e acabou empatada em 1 x 1. Mas, nada que abalasse o bicampeonato de 43.

fla1943 

To be continued!