Magia Rubro Negra


VAMOS MENGÃO – POR DIOGO ALMEIDA (COLABORAÇÃO) by @fabiojustino
19/05/2010, 19:35
Filed under: Colunas, Notícias Diárias

Ótimo texto, uma belíssima colaboração do nosso amigo Diogo Almeida. Rubro negros de plantão, recomendo a leitura.

Nasci numa terça-feira, dia 14 de agosto de 1979. Mas tenho outras datas de nascimento. Em 02 de março de 1998, nasci profissionalmente, quando dei meus primeiro passos no fórum carioca e iniciei precocemente minha carreira jurídica. Em 02 de dezembro de 1987, biologicamente nascido há oito anos, nascia o torcedor rubro-negro. Na verdade, afirmariam muitos com razão, já no ventre da minha mãe meu coração já batia rubro-negro, pois assim todos são gerados e nascem. “Alguns poucos degeneram”, como dizia meu saudoso avô, torcedor de Leônidas e Domingos.

Nessa tarde/noite de dezembro de 1987, o Flamengo jogava o segundo jogo da semifinal da Copa União contra o Atlético-MG, no Mineirão. Já havia vencido o primeiro jogo no Maracanã dias antes, mas uma vitória simples classificava o time mineiro. Depois de iniciar o jogo vencendo por 2×0, o Mengão cedeu o empate e sofria grande pressão. No final do jogo, porém, um lance garantiria nossa vitória e configuraria com irretocável precisão aquilo que representa o Flamengo e o ato de vestir o manto sagrado.

O personagem do lance, que já gozou de prestígio inabalável entre os rubro-negros, seria mais tarde alijado do rol de ídolos da nação em decorrência de uma barriga mal posicionada e de declarações não muito felizes. Numa roubada no meio-campo, a bola sobra para Renato Gaúcho que, como quem espera receber o bastão numa prova de revezamento de 100 metros rasos, corre em disparada, driblando e deixando o zagueiro atleticano para trás. O adversário, ciente de que mais um gol sofrido inviabilizaria qualquer reação, tenta parar o ponteiro rubro-negro, chutando-lhe as pernas. Renato, mais uma vez, como um caminhão infrene que passa sobre um quebra-molas, ultrapassou o obstáculo com apenas um leve fraquejar, somente para iludir os adversários da queda que não se consumaria. Mais adiante, com força e técnica flamengas, o jogador rubro-negro driblou o arqueiro e ídolo dos atleticanos, deixando-o para trás, sem, contudo, conseguir esquivar-se da sua tentativa de, com as mãos, derrubá-lo. Inabalável, Renato manteve-se de pé, empurrou a bola para as redes e, sem se dar conta, protagonizava uma das cenas mais essencialmente rubro-negras da história.

Em uma só jogada, a velocidade, a técnica apurada, a raça e, sobretudo, a perseverança e a obstinação que nos são próprias estavam presentes. Renato deu uma aula inconsciente de rubro-negrismo, desfilando dribles e atitude de quem não desiste nunca, não se entrega e jamais se rende. O rubro-negro é acima de tudo um obstinado. Não somos arragaidos pelo otimismo pueril, mas nunca deixamos de acreditar, por mais improvável que seja a tarefa.

Desde esse dia, “ser Flamengo” faz parte da minha personalidade e é facilmente notado por aqueles que convivem ainda que minimamente comigo. Como torcedor, não aceito capitulações daqueles que vestem nosso manto e não deixo de acreditar até o último instante. Os mais jovens do que eu não entendem meu respeito pelo Renato, mas meus contemporâneos da geração Zico pós-operações ainda guardam na memória aquela arrancada, que, ademais, transformaria o Atlético-MG de rival a mero freguês.

No dia 20 de maio de 2010, temos mais uma oportunidade de colocar em prática a perseverança rubro-negra; jogadores e torcedores com a mesma crença, sem que os chilenos – contumazes fregueses de Libertadores -, consigam respirar, mas tão só admirar o domínio, a técnica e a obstinação flamengas. Mas não pensem que será a primeira ou a última vez que essa qualidade será posta à prova. Habitualmente nos deparamos com elas e quase sempre ultrapassamos a desconfiança alheia. Foi assim no tri de 1944, com gol de um Valido velho e febril, no título da garra e cabeçada certeira de Rondinelli de 1978, no tri de 2001, com a falta aniquiladora de descrença de Pet, e num jogo contra certa Universidad de Chile, em que precisávamos ganhar de “apenas” quatro gols de diferença e vencemos de 7×0, em 1999, antes do triunfante título da Copa Mercosul.

Quinta-feira, teremos mais um capítulo comum do cotidiano flamengo de crises, descrenças e reviravoltas triunfantes. Rubro-negro, não lute contra sua própria natureza, torça, lute, persevere e acredite na vitória!
 
Rio de Janeiro, 18/05/2010
Diogo Assumpção Rezende de Almeida

MAGIA NELES!
COLABORAÇÃO: Diogo Almeida
paixao@magiarubronegra.com.br
TWITTER: @magiarubronegra

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4 Comentários so far
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Flamengo 3 x 1 Universidad de Chile

Comentário por felipe nascimento

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na probreza.. e felizmente, nem a morte nos separa! :) MEU CORAÇÃO É RUBRO NEGRO, MINHA ALMA É RUBRO NEGRA! =))) A nossa missão é ACREDITAR, sempre!!!! E seja o que Deus qizer!

Comentário por Brenna Lívia!

Bom dia!!!!

texto maravilhoso….eu acredito sempre no flamengo…tenho fé..vamos conseguir.

Mengão sempre ti amarei..onde estiver estarei.

saudações rubro negra

Comentário por Aline Belarmino

Que ótimo texto!!

Exprime muito bem a essência de ser rubro-negro!
Somos privilegiados! Não podemos esquecer jamais da importância e da força do nosso manto sagrado!
Raça Mengão!! Vamos conseguir!

Comentário por Anônimo




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