Magia Rubro Negra


Vuvuzeladas ao Léo – O 13 e o Tsunami – Por Conrad Rose by fholanda
15/06/2010, 10:33
Filed under: Colunas, Magia Divulga

Hoje temos a honra de iniciar uma coluna que irá rolar até o final da Copa do Mundo com um convidado muito especial, Conrad Rose. Conrad é escritor, Rubro Negro fanático, em 2007 produziu a biografia de Gilberto Cardoso e hoje produz a Rádio Web Muqueca de Siri.

VUVUZELADAS AO LÉU – O 13 E O TSUNAMI

Ainda nem amanhecera o dia na Guanabara quando um enorme clarão apontou denunciando as chamas e inaugurando o caos que derreteria a Tijuca, estendendo-se de um lado à Praça da Bandeira e d’outro a uma floresta toda. O estrondo, imediatamente após, sucumbia os tantos da véspera, no massacre dos apóstolos de Dunga sobre os comunas da Coréia do Norte, e deixava no chinelo o maior esporro que a cidade já presenciara. Era, afinal, o Brasil entrando, ou melhor, sendo inserido na copa dos confrontos atômicos.

Em seguida, aos que já haviam retomado a audição deu-se o privilégio de enumerar três menores e espaçados novos impactos. Estes, abafados como se viessem das profundezas, donde nos templos se assimila ao inferno, ecoaram desprovidos de alertas luminosos e sem consequência aparente.

O contraponto veio minutos depois e por muitos jamais será compreendido. Uma onda gigante invadiu a Zona Zul, tornando o Pão de Açúcar uma pequena ilha e alcançando os pés do Corcovado. Nem um minuto e nova onda atingiu a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes. Por fim, uma terceira dividiu Niterói da capital, carregando a melhor herança de Costa e Silva e paralisando todo o porto.

Imediatamente bombardeiros e caças sobrevoaram largando projéteis sem fim sobre a cidade ardente e inundada. Todo o poder bélico de reação brasileiro se dirigia à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Alerta geral para inimigo desconhecido.
Entretanto, todas as agências de notícias do mundo já se faziam saber que Kim Jong-il, o dono da Coréia do Norte, indignado com tamanha humilhação perante os 13 a 0, declarara guerra ao Brasil. Isso mesmo, o bom e velho 13 de Zagallo.

Brasília nem precisaria agir e quando a mobilização se fez tudo já estava resolvido. Bastou Lula dar três telefonemas e a metade comunista da Coréia era sumariamente aniquilada pelas forças da vizinha do sul, mais o Japão e a China. Das Malvinas, os prestativos britânicos deram conta do arsenal oriental no Atlântico. Incomodaram o mandatário na data apenas as condolências sem fim, desde Obama até Zé Dirceu, além da imprensa e sua característica redundância. Em cadeia nacional, decretou estado de vigilância contra a Costa do Marfim e avisou ao brasileiro ou brasileira em terras lusitanas que era de bom grado não abusar nas anedotas.

Um 0800 passou a funcionar como Criança Esperança para recuperar o Rio Olímpico e os royalties retornaram aos cofres estaduais e municipais de origem.

Nesta altura, eu tive a súbita impressão de estar sonhando, afinal o suor que me ocorria era completamente distante de um tsunami tropical no final da madrugada. A desconfiança se fez prova mediante a procura vã de algum zumbido consequente do estrondo incial. Nada. Voltando pouco mais no enredo, recordei que nos dois últimos gols do Brasil, fora fundamental a participação de Paulo Henrique Ganso. Primeiro numa bela assistência ao Robinho e depois decretando o 13 com um chute certeiro de canhota da entrada da área, lá na coruja. Para poupar Kaká, Dunga deixara o jovem jogar o segundo tempo quase todo, com toda a liberdade para invadir a Coréia do Norte.

Sim, meus caros, fora tão-somente um sonho e felizmente aqui no bairro de Botafogo está tudo em pé. Contudo, para a desgraça de todos nós, brasileiros de carteirinha, aficionados do futebol extraclasse, jamais saberemos a outra metade do meu sonho, que ficará para sempre guardada na gaveta do condicional.

Conrad Rose
escritor ficcionista
Colaborador do Magia Rubro Negra
MSN: conradrose@hotmail.com

Magia Neles!
EQUIPE Magia Rubro Negra
Twitter: @magiarubronegra
E-mail: paixao@magiarubronegra.com.br

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3 Comentários so far
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Muito bom, Conrad.
Seu texto me fez imaginar a Copa aqui no Brasil. Se não fizermos uma mega organização pelo menos para superarmos a da África, desiste de tudo. Aqui nós temos transporte público, mas e as vias de escoamento para os estádios?
Bom, pelo menos não teremos vuvuzelas e sim… berimbáus.

Abraço
Bruno Cazonatti

Comentário por Bruno Cazonatti

Me perdoe mas :o pai foda-se a seleção brasileira eu sou Flamengo

Comentário por Regina Marques

Formou… ainda bem que todos concordamos com as mazelas do transporte público e todos somos Flamengo… e aproveito pra lembrar que o Dunga jogou no Vasco… rs… saudações e paz…

Comentário por Conrad Rose




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