Magia Rubro Negra


NUNCA MATEI ROLINHA – Por Conrad Rose by leomagamon
01/12/2010, 15:00
Filed under: Colunas

Cresci com este código de decência humana, sabedor da desvantagem plena do bicho e por não ser do meu feitio maltratar animais. Além disso havia o castigo: familiar, social e divino. Também não fui de caçar passarinho e na culinária, dentre as carnes, as aves eu passo. Assim, constantemente me chegou, desde muito cedo, que matar rolinha era mácula pra toda a vida, tanto que vez ou outra blasfemo que as dei cabo noutras encarnações, reclamando qualquer revés ou a menor objeção. No entanto, nem estabeleço filosofia acerca e vida por vida prefiro esta, onde sinto-me imaculado quanto às benditas rolinhas.

Mas vejam o que houve domingo:

Moro no bairro de Botafogo e gosto muito daqui. O cruzmaltino vizinho do lado torceu como nunca; e a cada gol do Cruzeiro a amplitude se alargou. Se houvesse o terceiro, não duvido que desse rojão na minha janela. No pênalti sobre Diogo, um ufa além das suas terras, demarcadas e divididas pelo corredor. Detalhe: eu via o Fluminense e ouvia no rádio o Fluminense, porque amanhecera com uma tranquilidade insana no quesito Flamengo. Talvez por questões bem mais complexas que afloraram na última semana, mas acordei muito bem pra rodada.

Pois não é que, como num passe de mágica, uma causa impossível se fez presente e de prima foi botada pra escanteio pelo nosso querido São Judas Tadeu. O Flamengo todo – torcida, simpatizantes, jogadores, comissão, diretoria e conselho – estava impotente diante dos fatos, todos a fazer exatamente o que nos demonstra Patrícia Amorim. Nada.

E o mais querido do Brasil, aos olhos de Padre Goes, engenhoso tal Zé Lins do Rego, com o manto sagrado feito a bastilha inexpugnável de Nelson Rodrigues, ao som da gaita de Ary Barroso e na cadência de João Nogueira, safou-se. Livrou-se da trilha que todos os nossos co-irmãos cariocas já percorreram, manteve-se na elite como sempre, sem precisar dar cartaz ao Luxemburgo ou enaltecer qualquer coisa que foi e não foi feita neste ano terrível, embora divertido.

Vejam se não:

Tiramos o doce melhor da festa de centenário do vice-popular da garoa e observamos o Vasco, estandarte do efusivo vizinho, passar mais um ano a ver navios. Não é divertido?

Quem mandou matar rolinha, meu caro? Agora vai aturar meu canto de urubu marrento. Ah, vai!

———————-
Conrad Rose é escritor, torcedor do Flamengo, colaborador do Magia Rubro Negra, imperiano e carioca por devoção. Como passatempo, mantém um podcast – Muqueca de Siri – que foi premiado pela APCA como melhor programa de rádio via internet. Desde 2007 trabalha, em co-autoria com Rafaela Cardoso, na biografia do saudoso ex-presidente Gilberto Cardoso. Está com um livro infantil na praça – ‘O Que Que Foi?’ – distribuído exclusivamente no seu website.

Conrad Rose
http://conradrose.com.br
flamengo@conradrose.com.br
Twitter: @conradrose

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6 Comentários so far
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Posso até discordar de alguns pontos de vista, mas gostei do estilo.

Comentário por Alexandre Fernandes

Muito bom…parabééns.

Comentário por Bee Almeida

A maioria das crônicas nasce da discordância e sem ela pode virar exaltação. O interessante do formato é o retorno imediato que o autor recebe do texto vivo, latente.
Então, seja bem-vindo, Alexandre, e fique à vontade para expressar sua crítica.
Ao Bee, obrigado pelo prestígio.
Saudações rubro-negras…

Comentário por Conrad Rose

pra mim é “arte” de um artista carioca e eu ‘tou
admirando muito as obras de Conrad Rose.

Comentário por Raymond Bilodeau

Boa noite !! otimo texto
so em saber que o mengoo não vai cair,
ja fico muitooo feliz
agradeço a deus por isso
domingooo passado meu coração estava a mil..

que ano dificl
que venha 2011
e que Deus nos proteja hoje e sempre

abraços

saudações rubro negra

Flamengooo Amor Incondicional

Comentário por Aline Belarmino

Obrigado pelo carinhosos comentários.
E quanto ao domingo, Aline, hoje teremos um de sol, praia e marasmo, onde talvez a orla tenha mais apelo que o futebol na Globo, pois essa coisa pequena de preterir o time que torce para secar os outros não é da nossa estirpe.
Mesmo porque sabemos que o feitiço vira sobre o feiticeiro, não é? Então, um brinde à memória de Fleitas Solich.

Comentário por Conrad Rose




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