Magia Rubro Negra


A Grandeza do Flamengo by Cacau
08/12/2010, 7:00
Filed under: Colunas

“Molas anda a tomar o Flamengo para a graça dos seus bonecos. E a mim, para um motivo de comovedora solicitude às dores do meu clube. O fato é que o Flamengo anda a sofrer. Mas acredito que não sofra de doenças que possam levá-lo a estado de gravidade.
O que existe no nosso clube é apenas um acidente da vida. O nosso time andou a levar suas cargas de pau, a merecer, de fato, surras de adversários sem grande credencial. Acredito que tudo se resolva bem. Hílton Santos, apesar de todos os seus gestos ditatoriais, é, no fundo, um flamengo de bom coração. E, para ser um bom flamengo, primeiro que tudo, carece o cidadão de ser um homem do povo, capaz de gestos democráticos, sem atitudes de mando agressivo.
O Flamengo é da paixão do povo. E aí está a sua grandeza.” (José Lins do Rego)

Zélins foi o primeiro grande escritor brasileiro a escrever sistematicamente sobre futebol num tempo em que os intelectuais achavam que o velho esporte bretão era indigno de sua literatura. Quisera eu ter um décimo do talento e da clareza do moço para, nesse momento, saber o que lhes dizer. Resolvi recorrer à pequena crônica de 25 de maio de 1946, transcrita acima. Deixo livre à reflexão de cada um de vocês as palavras deste paraibano, “cronista apaixonado, nada isento, despudoradamente comprometido com sua paixão pelo Flamengo” – nas palavras de João Máximo. Queremos seriedade e profissionalismo, sim, mas tais predicados isolados não funcionam no Flamengo. O Flamengo precisa de bons homens do povo, bons homens de bom coração e, consequentemente, de bons flamengos. Dentro e fora dos gramados. Homens e mulheres que, à despeito de sua classe social, nunca se esqueçam a essência do Flamengo. Do ser Flamengo. Andamos a sofrer, como andávamos em 1946 e, da mesma forma, a cura está em nossas mãos. Ou em nossos corações.

Magia Neles!
EQUIPE Magia Rubro Negra
claudia@magiarubronegra.com.br
Twitter: @tudoemsimas

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3 Comentários so far
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Concordo em todos os aspectos, Cláudia… a essência do nosso clube é esse amor incondicional, essa relação exacerbada, incomparável e invejada pelos nossos co-irmãos… e é deste sentimento que o Flamengo invariavelmente se refaz, se reinventa e segue seu rumo… não há entre nós desertores e seu texto é um alento nesta entressafra de homens do povo no comando do clube…
A crônica de Zé Lins data o começo do maior jejum de títulos da nossa história que só terminaria em 1953… ainda assim, antes disso o imortal literato foi o chefe da delegação do Flamengo na primeira viagem à Europa e promoveu o clube onde esteve, através deste sentimento supracitado…
Talento não se mede e não lhe falta, mas a clareza da crônica e a ótima redação impressionam… muito obrigado pelo desjejum…

Comentário por Conrad Rose

[…] Nota: Publicado originalmente no Magia Rubro Negra. […]

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[…] do meu avô, falei de amigos, falei da Charanga, falei de Zé Lins, falei daNação (esse, áliás, foi um dos textos que mais gostei de escrever). Fiz alguns […]

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