Magia Rubro Negra


As melhores lembranças by Bruno Cazonatti
11/01/2011, 16:07
Filed under: Colunas


Há histórias que décadas não são capazes de apagar. No viço dos meus 23 anos, morando na Tijuca, mais precisamente no Largo da Segunda-Feira, o almoço de domingo daquele 1º de junho de 1980 foi mais cedo. Tínhamos, meu irmão e eu, que encontrar com algumas pessoas em frente à Estátua do Belini ou Estátua do Jogador, como alguns preferem. Uma rápida caminhada e chegamos ao Maracanã por volta das 12:30. Na quarta-feira anterior estivéramos no Mineirão, onde a PM mineira não teve qualquer gentileza com a torcida rubro-negra, batendo antes e perguntando depois. Fazer ou não arruaça foi indiferente. No campo, além do desfalque do Zico, o Rondinelli saiu desacordado com o maxilar fraturado pelo Éder. O jogo da volta foi ansiosamente esperado pela Imensa Nação Rubro-Negra.

Em frente ao portão de entrada, a multidão impressionante, um verdadeiro mar revolto de Mantos Sagrados, um tsunami de quase 160 mil pessoas. Permitido o acesso, nos esgueiramos para chegar às roletas, muitas vezes sequer tocando os pés no chão. Seguiu-se a tradicional procissão até a coluna 40 das arquibancadas, onde sempre assistíamos os jogos. Sentamos, ou melhor, nos acomodamos como possível. Não me recordo se o jogo foi às 16:00 ou às 17:00, mas esperamos muito. Valia de tudo, desde acertar os carecas com bolinhas de copo de mate, até relembrar do jogo anterior e da campanha. Até então, depois de 21 jogos, somávamos duas derrotas: um 1 x 2 para um surpreendente Botafogo da Paraíba no Maracanã e o 1 x 0 no Mineirão no primeiro jogo das finais. Iniciada a partida, foram necessários sete minutos para um lançamento mágico do Zico para o Nunes e a conclusão rasteira, de fora da área, na saída do João Leite. Sob milhares de olhos petrificados, a bola se arrastou por metros, pererecando até entrar no gol. Ainda comemorávamos quando o Reinaldo empatou, numa bola desviada na zaga antes de entrar. O primeiro tempo todo em cima deles, a bola teimando em não entrar. Num bate e rebate que começou com o Júnior, o Zico desempatou, bem no final.

Intervalo de muita alegria, os minutos voaram. Segundo tempo nervoso, poucas e alternadas oportunidades. O Reinaldo capengando achou forças para empatar depois da metade da etapa final e deixou nossos nervos à flor da pele. O Maracanã era um depósito de tensão, prestes a explodir a qualquer momento. A menos de dez minutos para a decisão acabar, o “João Danado” recebeu um lançamento do Andrade pela esquerda. Tentou cruzar, a bola carambolou no Silvestre e voltou para o nosso artilheiro. O predestinado partiu para decidir o lance. Um drible seco para dentro da área, a projeção em direção à linha de fundo e, ao invés do cruzamento, a bola colocada por cima do João Leite que buscava abafar. Meus olhos turvaram de lágrimas no ato. Eu queria urrar e não conseguia.

O peito apertou enquanto um amontoado de gente se abraçava a mim. Conhecidos e desconhecidos se confraternizavam numa emoção incontida e indescritível. Daí em diante todo mundo sabe o que eu tive o privilégio de viver. Muita festa e o início de uma seqüência incomparável na história do clube.

Magia Neles!
EQUIPE Magia Rubro Negra
alexandre@magiarubronegra
Twitter: @alexandrecpf

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7 Comentários so far
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Eu estava no Maraca também
Simplesmente EMOCIONANTE

Comentário por REGINA MARQUES

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1980
O primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro de 1980 ocorreu em 28 de maio e terminou em 1 X 0 pro Atlético-MG. O gol foi de Reinaldo, que também protagonizou um lance fantástico, em que deu dois chapéus no burro-negro Júnior, que caiu sentado. Como precisava da vitória a qualquer custo na segunda partida para ser campeão, o Flamengo mexeu os seus pauzinhos e conseguiu a escalação do árbitro José de Assis Aragão, que logo mostrou o porquê da insistência da H.V.A. em tê-lo no comando da partida. No primeiro tempo, que terminou em 2 X 1 pro Urubu, cansou de inverter faltas que seriam favoráveis ao Atlético, e reagia às reclamações ameaçando e intimidando os jogadores mineiros. Além disso, ainda fez vista-grossa à violência do time urubunegro, o que enervou ainda mais os atleticanos. Tanto que, no segundo tempo, depois de muito apanhar dos brucutus do Flamengo e nenhuma providência ser tomada pelo juiz, Reinaldo sentiu uma velha contusão no joelho. Mesmo arrastando-se em campo, ainda foi mais jogador que todos os mulambos burro-negros juntos e marcou o gol de empate aos 22 minutos. Já sem condições de continuar em campo, Reinaldo ia sendo substituído quando foi expulso por Aragão, que justificou a punição por cera do jogador, que, mancando, tinha visível dificuldade pra sair de campo. Mas o pior ainda estava por vir. Aos 37 minutos, o Atlético partia em um contra-ataque que seria fatal pra definir a partida, quando o juiz marcou um impedimento inexistente no meio de campo. A justa revolta…(cont)

Comentário por Sacaneator

(cont)…do banco atleticano foi a desculpa de que Aragão precisou pra expulsar o técnico Procópio. Depois da confusão, os jogadores do Atlético ainda reclamavam com o árbitro, quando o Urubu traiçoeiro se aproveitou e, mesmo sem autorização, reiniciou o jogo e marcou seu terceiro gol. Mais reclamações justificáveis por parte do time mineiro e mais duas expulsões, deixando o Galo com apenas 8 jogadores e sem técnico. Mesmo assim, todo mutilado pela vergonhosa atuação do árbitro da partida, o Atlético quase chegou ao empate nos descontos, com um tirambaço de Éder, que o frangueiro da época defendeu, até hoje não se sabe como. E assim terminou esse triste episódio do futebol brasileiro, com o mal triunfando mais uma vez. Graças a um árbitro escolhido a dedo, que agradeceu à preferência passando por cima de tudo pra entregar a encomenda.

Comentário por Sacaneator

Tentar denegrir o sucesso daquele timaço histórico só pode ser coisa de desequilibrado que não tem o que fazer. Se houve violência no jogo, que já acontecera em BH, foi da parte atleticana, em especial do Chicão sobre o Zico. Só para dar um pouco de luz ao cego, o Reinaldo teve um problema muscular. A mágoa do arco-íris só não é maior que a imaginação desses infelizes. Para gente como esse pobre coitado, que se esconde atrás de um pseudônimo que tem a cara dos dementes, é mais importante a derrota do Flamengo do que a vitória de seu clube. Quem sabe seja em razão da permanente desvantagem. Nós entendemos e perdoamos. Estamos acima dessa ignorância.

Comentário por Alexandre Fernandes

A propósito das expulsões, o Reinaldo fez ostensiva cera logo após empatar o jogo. Embora já advertido com o cartão amarelo, reagiu debochadamente à repreensão do árbitro, permaneceu fazendo cera e foi expulso. Tratava-se de um excelente jogador, entretanto muito indisciplinado. O violento Chicão foi expulso a dois minutos do fim do jogo, após uma entrada criminosa no Tita, que prendia a bola na lateral do campo, em frente às cabines de rádio e TV. Na confusão, Palhinha, outro jogador sabidamente indisciplinado,foi expulso por reclamação extremamente agressiva.

Comentário por Alexandre Fernandes

Ao contrário do que foi escrito sobre o árbitro, José de Assis Aragão, ele à época era chamado pela torcida cruzeirense como José de Assis “AraGalo” em razão de favorecimentos ao Atlético MG em arbitragens de clássicos mineiros.

Comentário por Alexandre Fernandes

Só mais uma observação: ninguém consegue jogar “nos descontos”. Joga-se nos acréscimos. Mas, diante do perfil, isso é pedir demais.

Comentário por Alexandre Fernandes




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